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EPÍLOGO

"Como eram as pessoas e as circunstâncias, em Criciúma, naquele início dos anos 60, quando foi fundado o Sinmetal? 

 

Não há uma resposta pronta.


São muitas as reflexões que o leitor pode fazer a respeito, a partir dos fatos reportados nesta obra. Eles foram extraídos de fontes diretas como atas, fotografias e depoimentos de personagens que, no início da década de 1960, acompanharam o movimento sindical e viram surgir a entidade.  Havia, em Criciúma, um sindicalismo vibrante que se mesclava fortemente com influxos político-partidários e ideológicos bem visíveis.  

 

A Capital do Carvão era uma pequena réplica do mundo.


A guerra fria, que as grandes potências alimentavam em cenários vistosos, como os das corridas armamentista e espacial, derramava-se para as bases, alcançando o dia a dia duro e pungente dos trabalhadores.


As ideias, de todos os matizes, alcançavam as massas e provocavam embates e reações. A ampliação do nível de consciência do operariado sobre sua situação, seus problemas e as possibilidades de solução era evidente.


Esse era o cenário em que viviam as pessoas descritas nesta obra, com suas vicissitudes, traços de caráter e sonhos de um mundo melhor, com melhores empregos e melhores salários, com mais saúde e educação, com mais recursos para defender os direitos e mais solidariedade humana.


Cinquenta anos depois, uma mirada para trás demonstra avanços. Mas também parece evidenciar que, nas últimas décadas, num quadro em que se renovou muita coisa, dos partidos às ideologias, há a subsistência da necessidade de busca de melhores condições de trabalho, de salário e de vida para as massas trabalhadoras.  O Sinmetal, agora com sedes próprias e seu amplo quadro associativo, está melhor preparado para continuar a luta que poucos e abnegados colegas iniciaram, há  50 anos, num ambiente conturbado e rude, com exíguos recursos.


No site do Sinmetal, lê-se que “atualmente o Sindicato possui cerca de 3.500 associados, sendo que em sua base territorial há cerca de 10.000 trabalhadores, com abrangência em 29 municípios.”   No mesmo portal, informa-se que,  desde 1979, há uma convenção coletiva que, em 2011,  tem  48 cláusulas em vigor, compreendendo, entre outros, benefícios como: “ [...] estabilidade pré-aposentadoria, horas extras com a primeira e segunda com adicional de 50% e a partir da terceira com adicional de 100%, adicional noturno de 30%, Piso Salarial, abono de férias  [...] “.  E a base territorial do sindicato consolidou-se para a representação dos trabalhadores de toda a região sul do Estado de Santa Catarina, conforme pretendiam os fundadores.


O trabalho de Hélio Simas, de Raul Clemente Pereira e de um grupo de operários idealistas, lá nos primórdios da década de 1960, pôs as bases da entidade. Muitos, na sequência, deram continuidade àquele trabalho, o que permite afirmar, no portal, orgulhosamente, que “hoje  [...]  a categoria metalúrgica possui um Sindicato atuante, organizado e com uma boa estrutura física e administrativa, voltada ao bem-estar dos nossos associados e da categoria”.


Depois da leitura, pensando naqueles distantes anos de 1960, pode-se perguntar, agora: como eram aqueles homens? E aqueles tempos? 


Eram tempos duros aqueles, sem dúvida! E os homens, aqueles homens, eram talhados para o seu tempo
. "


Fim