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GALERIA DOS PRESIDENTES

1962-1971: Raul Clemente Pereira (três mandatos)

 

Batalhou pela fundação e afirmação da entidade, tendo-a presidido como Associação Profissional e, depois, como Sindicato. Obteve o reconhecimento sindical da associação em plena vigência do movimento revolucionário de 1964. Deixou a presidência do Sinmetal para assumir a  da Federação dos Metalúrgicos de Santa Catarina. Foi cassado e afastado do sindicalismo sob a vigência do AI-5.

 

1971-1977: Dinarte Mendes (três mandatos)

 

Dinarte Mendes sucedeu a Raul Clemente Pereira. Exerceu dois mandatos completos. Eram tempos rudes, aqueles, os mais negros do período ditatorial.  Faleceu em 24 de dezembro de 1977, no curso do seu terceiro mandato.

 

1977-1980: Ari Alano de Oliveira (um mandato).

 

Pres3 “Frente à presidência, a situação econômica social da época concentrava forte desemprego, com  economia instável e recessiva, inflação alta, alimentação deficiente.   Tive dificuldades iniciais devido à inexperiência, porém a categoria era organizada. As maiores empresas eram: Mecril, Sidesa, Sical, Icon, Carroceria Becker com aproximadamente 700 trabalhadores. Concessionárias: Jugasa, Forauto, CriveI e Vesul:  aproximadamente 300 trabalhadores. Retíficas, oficinas mecânicas, serralherias: aproximadamente 600 trabalhadores. Em Araranguá, havia aproximadamente 150 trabalhadores. Houve greves em empresas:  nove empresas de médio porte e algumas menores. Quando assumi o Sindicato, a Icon pagava a mensalidade associativa de todos os trabalhadores porém, na primeira divergência com o sindicato,  foi cancelado. Com a extensão de base para Urussanga, Içara e Nova Veneza,  a categoria cresceu em aproximadamente 750 trabalhadores. O sindicato contava com um percentual de aproximadamente 50% de associados, sendo que estas mensalidades eram as principais fontes de renda do sindicato. Fato marcante: ajuizamento de adicional de insalubridade e periculosidade com as principais empresas e solidariedade dos sindicatos que compunham a intersindical informal (Metalúrgicos Construção Civil, Comerciários, Mineiros e Motoristas).”
 

1980-1983: Ademir Klein (um mandato)

 

Pres4“Conheci o Raul no movimento sindical, visitando as empresa com ele. Na época, eu, com 19 anos, trabalhava na Jugasa. Era um período de ditadura e liberdade restrita,  onde poucos entendiam a postura do sindicato. Fui um dos primeiros associados. Devo estar entre os 500. Mais tarde, fui trabalhar na serra e criei o sindicato em Bom Jardim. Quando voltei a Criciúma,  participei, entre 1978 e 1979, da greve “paredista”, onde me revelei uma liderança e logo fui eleito presidente do Sindicato. Era um período vivo, de criatividade, de atividade de formação e discussão política no sindicalismo. O sindicato era pró-ativo na defesa dos interesses dos trabalhadores. Havia poucos associados, mas eles eram ativos, com forte sentimento operário. Fui o criador do informativo Zé Ferreiro (publicado até hoje). A disputa interna era pouca. Hoje não considero mais o movimento sindical como a vanguarda dos trabalhadores. Penso que está ocorrendo, no mundo inteiro, a perda das conquistas”.

 

 

1983-1992: Domiciano Pedro Zanelatto (três mandatos)

 

Dorival Sazam “Entrei na presidência pós-ditadura, com a transição de regimes e abertura democrática,  o que dificultava as negociações. Houve greve de dois dias, isolada em uma empresa, pela equiparação salarial. Foi vitoriosa em 1983. Em todos esses anos, houve greves, às vezes gerais outras vezes isoladas, e, em função do movimento, recebia diversas ameaças. A maior greve durou 48 dias. Nós lutávamos pela reposição salarial e ganho real e saímos vitoriosos. Pela pouca experiência, nosso único caminho era sempre a paralisação. A categoria era grande, com cerca de 2.500 associados e a adesão nas greves também. Teve um ano em que o Governo federal emitiu decreto lei para baixar os salários, obrigando  as empresas a repassarem somente 80% da inflação. Então fizemos 100 mil panfletos e distribuímos em toda a região. Mobilizamos os vereadores  contra o decreto.”

 

1992-1995: Dorival Sazam (um mandato)

 

Domiciano Pedro Zanellato“Na época, havia bastante desemprego, o que fortalecia o patrão. Era difícil negociar. O Sindicato se preocupava com o desemprego e, por isso, era diplomático nas negociações. O fato é que dentro de algumas empresas surgiam lideranças, entre os trabalhadores, que definiam ações e  paralisações por conta própria. E era difícil o sindicato controlar. Fizemos algumas greves e tivemos derrotas pela exigência deles, sem ser o momento certo em nossa visão. Queriam parar  com poucos trabalhadores,  prejudicando o movimento. Nas assembleias, tínhamos dificuldade de convencimento de que a greve, naquele momento, era perdida e não iríamos avançar em nada. Acabávamos acatando, pela exigência e influencia desse líderes junto aos trabalhadores. Penso que foi um momento único em Criciúma. Mesmo com essas dificuldades, garantimos algumas conquistas como: melhorias nos locais de trabalho – principalmente em relação a segurança,  com o funcionamento da CIPA e redução de acidentes. Mantínhamos boa relação com o Ministério do Trabalho. Eles eram presentes, faziam uma boa fiscalização”.

 

1995-1998: Francisco Pedro dos Santos (um mandato)

 

Pres7“Foi um período difícil em função da economia instável. Os empresários atrasavam as folhas de pagamento e, em função disso, houve  várias greves em metalúrgicas. Algumas também não pagavam a contribuição devida à entidade, mas conseguimos receber com muita luta. Nos acordos coletivos, conquistamos aumento real e mantivemos os benefícios. Nessa época, o Sindicato cresceu e investiu em estrutura física. Quando assumi a presidência, enfrentei problema sério com a Assessoria Jurídica que não dava atenção aos associados. Tomei a decisão de demitir e contratamos o advogado que está até hoje no Sindicato. Em 1993, tivemos que interferir na empresa Amanda, de Forquilhinha. Ela havia demitido 70 trabalhadores sem os direitos trabalhistas. Estava em crise. Com bastante negociação e com a  boa vontade do proprietário, Paulo Freitas,  negociamos e ele repassou tudo para os funcionários. As rescisões foram quitadas e os 50 metalúrgicos que ficaram  formaram a cooperativa Metalfort, ainda em atividade. O meu mandato foi conturbado com conflitos internos entre os diretores, mas isso não prejudicou a organização e a força da categoria”.

 

1998-2001: Antonio Carlos Leandro (um mandato)

 

Pres8“Entre 98 e 99, havia dificuldade de negociação com os sindicatos patronais. Foram necessários dois dias de paralisação, na Eco e Hidrodinâmica, que não queriam conceder o mesmo índice de aumento das demais empresas. No final, os trabalhadores foram vitoriosos. Existia forte pressão pelo congelamento do piso, com alegação de que quem já estava na ativa não iria ter perdas salariais. Nessa época, já havia bastante associados. A categoria era forte. Foi nesse período que nasceu a Coopermetal. Ampliamos a base territorial de sete para 29 municípios, fortalecendo ainda mais a categoria. Adquirimos a sede-recreativa na Quarta-Linha. E devolvemos a parte do trabalhador do imposto sindical. A ampliação da base foi muito importante, pois concentrou trabalhadores de Siderópolis, por exemplo, que tinham que procurar a Federação ou o Ministério do Trabalho, em Florianópolis, para buscar seus direitos. Em termos de piso, recebiam apenas o salário mínimo. Hoje o Sindicato abrange várias sedes na região e consegue atender os metalúrgicos de todos os municípios do sul do estado. Olhando sob a ótica estritamente pessoal,  e como forma de externar meu profundo agradecimento à categoria que tive a honra de atender como presidente do Sinmetal, registro que foi com a ajuda dessa categoria que cheguei a Câmara Municipal.”

 

 

2001-2000: José Machado (um mandato)

 

 

Pres9“Meu mandato foi de manutenção de conquistas,  com ganhos reais. Negociávamos com avanços para a categoria. Algumas empresas estavam em dificuldades financeiras e atrasavam os pagamentos. Nesse contexto, era necessário fazer greve e cobrar os direitos dos trabalhadores. Fizemos algumas greves isoladas por situações pontuais em cada uma. Em Urussanga, a metalúrgica Rosster teve sua falência decretada e, com a interferência do Sindicato, os trabalhadores formaram a Coopermac,  que agora está no mercado. Construímos a nova sede de Criciúma. Foi um mandato relativamente tranqüilo, pois o cenário econômico do país era estável”.

 

2004-2012: Oderi Gomes (dois mandatos)

 

 

Pres10“Foi dada continuação no processo de conquistas de melhores salários e condições de trabalho. Os ganhos econômicos foram muito importantes, na valorização do piso e dos salários de todos os 11.500 trabalhadores da categoria. Tivemos greves em algumas empresas, por atraso de salários. Enfrentamos juntamente com os trabalhadores a busca de cobrança dos direitos em empresas que encerraram as atividades. Nesses oito anos, tivemos duas greves da categoria, em janeiro e julho, na data base. Realizamos investimentos em toda a estrutura da sede e sub-sedes, com informatização para melhor atender os trabalhadores. Sempre procurei participar dos debates para trazer melhorias para a categoria, com participação na direção da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) e na direção estadual do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (DIEESE). Participamos na elaboração e aprovação do piso estadual de Santa Catarina. Dediquei-me, sempre, em  todo o meu trabalho, ao objetivo de valorizar a nossa entidade, sendo ativo em  vários debates onde o tema era formação e valorização dos metalúrgicos. Atualmente,  vivemos um momento em que o Brasil esta crescendo rapidamente e os sindicatos precisam correr para acompanhar, além de terem que realizar um trabalho forte na formação e qualificação dos associados. É preciso lutar  por mais qualidade do emprego, por mais segurança do trabalhador, por ambientes de trabalho  ecologicamente adequados e agradáveis.  É necessário continuar lutando para que as empresas criem  atrativos capazes de criar nos jovens, que estão nas escolas técnicas,  o interesse de seguir carreira no setor metal-mecânico. Além disso, entendo ser necessário muito investimento em qualificação dos dirigentes sindicais, para enfrentarem as mudanças que virão  com o crescimento rápido da economia brasileira. O  mercado exigirá trabalhadores cada vez mais qualificados. É preciso saber o que esses novos trabalhadores querem pois,  afinal,  essa geração, chamada de Y, é que está chegando com força total nesse novo “momento que vivemos no Brasil”. Também acredito que, por meio  da negociação entre sindicatos, trabalhadores e empresas,  é que é possível construir conquistas para todos.”